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Logo: Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG) - Ir para a página inicial Deutsche Forschungsgemeinschaft

1° Grupo Internacional de Formação de Doutorandos (IRTG) em cooperação com a FAPESP é concluído

(16/10/2020) A pesquisa colaborativa e interdisciplinar é cada vez mais bem-sucedida não só no Brasil, como no mundo. O intercâmbio de ideias advindo principalmente de experiências acadêmicas distintas tem se mostrado produtivo para a comunidade científica e para a sociedade como um todo. Em 2020 foi concluído o primeiro IRTG com o Brasil. O programa foi co-financiado pela DFG e pela organização parceira brasileira FAPESP (Fundação para a Promoção da Investigação do Estado de São Paulo).

Foto Primeiro Grupo Internacional de Formação de Doutorandos (IRTG) em cooperação com a FAPESP

Foto Primeiro Grupo Internacional de Formação de Doutorandos (IRTG) em cooperação com a FAPESP

© © Humboldt-Universität zu Berlin / Department of Physics

A palavra rede vem do latim rete, utilizada para definir uma estrutura que tem um padrão característico. Os tipos de redes são múltiplos e variados: podemos pensar, por exemplo, no nosso cérebro, na meteorologia global, na distribuição de eletricidade de uma região ou até nas mídias sociais, todos esses são bons exemplos de estruturas que funcionam em rede. Foi pensando nessa multiplicidade que o primeiro Grupo Internacional de Formação de Doutorandos com o Brasil (IRTG sigla em inglês), teve início em 2011 e reuniu físicos, matemáticos, climatologistas, biólogos e geógrafos da Universidade Humboldt de Berlim (HUB), do Instituto Potsdam de Pesquisa de Impacto Climático (PIK), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O grupo foi reunido para entender o funcionamento de grandes sistemas complexos em vários campos de aplicação, desde neurociência, engenharia e ciências da terra até sociologia e economia.

"A realização bem-sucedida do nosso ambicioso e interdisciplinar programa de formação, o qual incluiu longas estadias de pesquisa de todos os doutorandos do lado do parceiro, foi certamente um trabalho árduo e, ao mesmo tempo, extraordinário. Esperamos que um futuro IRTG possa tirar partido deste sucesso", resume o coordenador do IRTG, o Professor Jürgen Kurths, do Instituto Potsdam de Pesquisa de Impacto Climático.

O IRTG é uma modalidade de formação de doutores e combina pesquisa de excelência com a formação e co-orientação de doutorandos alemães e estrangeiros. Projetos deste tipo costumam durar até 9 anos (duas fases de 4 anos e meio) e contam com a coordenação de professores universitários de ambos os países. O programa possibilita que universidades alemãs e estrangeiras desenvolvam e coordenem um projeto de pesquisa comum, com uma temática ampla ou interdisciplinar, dentro da qual oferecem aos doutorandos uma estrutura de formação altamente qualificada e direcionada à pesquisa, com cursos e orientação individualizada. É uma exigência que os doutorandos envolvidos desenvolvam parte de sua pesquisa na instituição parceira no exterior, em uma estadia de até um ano.

Os primeiros desafios

O programa de doutorado Dynamical Phenomena in Complex Networks foi o primeiro IRTG realizado entre pesquisadores da Alemanha e do Brasil. Por ser algo novo, inicialmente foi uma tarefa bastante complexa coordenar os diferentes sistemas administrativos e culturais de formação de doutores, pois como descreve o Prof. Dr. Elbert E.N. Macau, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e coordenador do IRTG pelo lado brasileiro: “O maior desafio foi o de fazer com que as pessoas se conhecessem, entendessem suas formas e modos de trabalho e começassem a interagir”. E esse trabalho foi um sucesso, como também confirma o Prof. Kurths “Fizemos um esforço conjunto para superar esses desafios e o resultado são os doutorados concluídos com êxito. A ajuda do DFG e da FAPESP sempre foi importante neste processo ".

Os Pesquisadores alemães foram financiados pela DFG; já os brasileiros obtiveram financiamento da FAPESP através da modalidadeExterner LinkProjeto Temático”. Um dos principais objetivos desse modelo interdisciplinar foi o desenvolvimento de um programa estruturado de doutorado que permitisse aos jovens pesquisadores trabalhar na teoria de redes em seus diversos campos de aplicações. De acordo com o Prof. Kurths e Prof. Macau, os jovens cientistas rapidamente se tornaram o "verdadeiro motor" do programa. Os conteúdos incluíam desde conceitos teóricos modernos a treinamento em aplicativos de rede, envolvendo experiência prática com os experimentos correspondentes.

O primeiro IRTG com o Brasil durou aproximadamente dez anos e pautou-se em quatro principais áreas. Durante este período foram publicados um total de 264 artigos em revistas científicas de renome como Nature, The European Physical Journal, Climate Dynamics e etc. Os tópicos incluíam: aspectos gerais da dinâmica de rede; dinâmica estocástica e transporte; sistema e redes terrestres e redes neurais. Ao todo foram 87 doutorados concluídos nessas áreas.

O grupo concentrou seus estudos nos princípios de auto-organização em redes complexas em evolução. Para aproximar estes princípios de muitas outras aplicações, investigaram a influência da heterogeneidade na estrutura da rede, atrasos temporais e estocasticidade em múltiplas escalas.

Estes estudos teóricos estão intimamente ligados à investigação de redes experimentais e dinâmicas naturais de complexidade crescente, começando pelos lasers, através de redes híbridas de neurônios até ao sistema da Terra. Este último é um desafio especial para a teoria das redes e foi um dos principais pontos deste IRTG, principalmente para poder compreender o funcionamento dos subsistemas da Terra em condições de mudança, especialmente o aquecimento global e o desmatamento da Amazônia. Segundo Kurths, antes mesmo do lançamento do IRTG, já havia uma cooperação bilateral isolada sobre estes temas, mas foi apenas através do IRTG que "a cooperação foi elevada a um nível mais amplo e verdadeiramente interdisciplinar”. Ele resume que: “mais colegas de ambas as partes participaram e encontraram uma cooperação muito produtiva em estreita ligação com a pesquisa e o ensino. Isto aplica-se em especial à cooperação da ciência de rede com a climatologia e a neurologia."

Resultados positivos

A cooperação também produziu resultados surpreendentes, por exemplo, no que se refere à metodologia das redes complexas. Nesse sentido, de acordo com o Prof. Macau “houve desenvolvimentos consideráveis no aspecto teórico, que mostrou-se flexível e eficaz as mais diversas situações de aplicações, sempre possibilitando uma análise adequada do problema em questão.”

O programa incluiu supervisão dupla de cada aluno, com workshops e aprendizado no local, mas também formas inovadoras de aprendizado e comunicação, como teleconferências, e-learning ou wikiversity, foram utilizadas. Além disso, foi dada especial ênfase à aquisição de competências sociais. A Humboldt Graduate School (HGS) e a organização correspondente da Universidade de São Paulo (USP) ofereceram as condições necessárias para o desenvolvimento do programa.

O evento de encerramento deste IRTG estava previsto para março de 2020, mas foi adiado devido à pandemia do coronavírus. O sucesso do primeiro IRTG no Brasil traz expectativas para que novos grupos possam ser formados em outras áreas. Além da FAPESP no Brasil, o CONACYT no México e o CONICET na Argentina também são parceiros na promoção conjunta e bem-sucedida de Grupos Internacionais de Formação de Doutorandos.