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Logo: Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG) - Ir para a página inicial Deutsche Forschungsgemeinschaft

Visita à Universidad Austral – um encontro com as raízes alemãs no Chile

Vista para praia do Oceano Pacífico na região de Los Rios

Oceano Pacífico na região de Los Rios – vista de edifício da UACh nos arredores de Valdivia

© DFG

(20.01.2018) Ano novo, destinos novos e perspectivas de novas cooperações: logo no início de janeiro, a diretora do Escritório da DFG para América Latina, Dra. Kathrin Winkler, visitou pela primeira vez a Universidad Austral de Chile (UACh) – instituição que mantém fortes relações com a Alemanha e onde a Interner LinkProfa. Gudrun Kausel , desde 2006 representante acadêmica da DFG no Chile, exerce suas atividades como docente e pesquisadora na Faculdade de Ciências. Na ocasião, Winkler conheceu as dependências da universidade na região de Los Rios e se reuniu com autoridades e acadêmicos.

“Realizar esta visita era uma vontade antiga, queria conhecer pessoalmente as colaborações existentes entre a DFG e a Universidad Austral, que tem raízes alemãs muito fortes, o que a faz muito importante para nós. Me impressiona que a maioria das pessoas que encontrei aqui fale alemão”, declarou Winkler.

Tradição alemã
Fundada em 1954 para atender à necessidade de se criar uma instituição de educação superior no sul do Chile, a universidade está localizada na cidade de Valdivia, em Isla Teja, uma ilha fluvial entre os rios Calle-Calle e Cruces. A região foi colonizada por imigrantes da Alemanha pouco mais de um século antes da criação da UACh, se tornando o principal destino da imigração alemã no Chile a partir de 1850.

Kausel explicou que o vínculo entre a Alemanha e a UACh se deu logo em sua fundação, a partir da formação dos professores no país europeu. Hoje a universidade, que está entre as cinco mais prestigiadas do país, mantém acordos de cooperação com 26 instituições alemãs e é uma das poucas chilenas a oferecer programas de doutorado com dupla titulação.

Os traços da colonização germânica permanecem vivos até hoje não apenas na universidade, mas também em sua relação com a comunidade local. Um exemplo é o projeto de pesquisa coordenado por Kausel juntamente com a Dra. Anita Behn, da Faculdade de Ciências Agrárias, que visa impulsionar a produção de cerveja de qualidade na região. Não por acaso foi em Valdivia que se estabeleceu, em 1851, a primeira cervejaria do Chile, fundada pelo alemão Carl Anwandter. Segundo Behn, a matéria prima da cerveja, o lúpulo, foi trazido da Alemanha pelos próprios imigrantes e plantado em seus jardins como lembrança da terra natal.

Em estufa, Anita Behn apresenta as amostras de lúpulo usadas na pesquisa
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Anita Behn e as amostras de lúpulo usadas na pesquisa

© DFG

Na cidade, conhecida hoje como a capital chilena da cerveja, ainda é possível encontrar lúpulo de procedência alemã – já foram identificadas cerca de 20 espécies diferentes que sobreviveram nos jardins. No entanto, as pesquisas realizadas apontaram que estes são tipos únicos, geneticamente distintos das variedades originárias da Alemanha de cerca de 200 anos atrás e também diferentes das variedades alemãs e norte-americanas contemporâneas. Uma possível explicação é que, devido às diferenças climáticas, do solo e a convivência com outras espécies de vegetação na região, tenha ocorrido uma microevolução dos lúpulos originais.

Nas dependências da universidade, Winkler pôde conhecer uma estufa com amostras de lúpulo valdiviano e uma cervejaria experimental usados na pesquisa, que busca entender como as especificidades do bioma da região contribuíram para o desenvolvimento destas espécies e como estas variedades influenciam no aroma e sabor do produto das inúmeras cervejarias artesanais locais. Em cooperação com a Universidade Técnica de Munique – instituição na qual Behn concluiu seu doutorado – e de seus especialistas do centro de referência no campus de Weihenstephan, o projeto contribui para capacitar os produtores membros da União Cervejeira de Los Rios e aprimorar a qualidade de seus produtos.

IDEAL
A colaboração com a Alemanha está presente também em outro interessante projeto da UACh: o Externer LinkCentro de Pesquisa Dinâmica de Ecossistemas Marinhos de Altas Latitudes (IDEAL). Em parceria com o Instituto Alfred-Wegner do Centro Helmholtz para Pesquisas Marinhas e Polares (AWI) em Bremerhaven, são conduzidas pesquisas interdisciplinares na área de oceanografia e ecologia. O principal objetivo é investigar e medir o impacto das mudanças globais nos ecossistemas da região antártica e subantártica e entender suas implicações para as comunidades locais.

Em reunião, Humberto González apresenta à Kathrin Winkler as atividades do IDEAL
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Humberto González apresentou à Kathrin Winkler as atividades do IDEAL

© UACh-IDEAL

A iniciativa conta com o fomento do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica (CONICYT), organização parceira da DFG no Chile, por meio de seu programa de financiamento de áreas prioritárias. Em Valdivia, Winkler se reuniu com o coordenador do projeto, Prof. Dr. Humberto Gonzalez. Ele realizou seu doutorado e pós-doutorado na Universidade de Bremen e durante este período participou de expedições para o Ártico e para a Antártica, pesquisando o fluxo de partículas verticais e os fluxos biogeoquímicos em ecossistemas marinhos de altas latitudes.

Conforme relatou o professor, a cooperação internacional é um importante elemento nas atividades do IDEAL. Além do AWI, o centro chileno coopera com outras instituições alemãs e com outros países, dentre eles a Argentina, onde o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva (MINCYT) – igualmente parceiro da DFG – também financia um grande projeto de pesquisa na área de oceaonagrafia, chamado Pampa Azul. Neste sentido, foi levantada a possibilidade de se promover workhops científicos na área, que pudessem reunir não só pesquisadores alemães e chilenos, como também argentinos por meio de fomento trilateral DFG-CONICYT-MINCYT. Mais adiante tais workshops poderiam contribuir para o desenvolvimento conjunto de projetos coordenados envolvendo cientistas dos três países.

Ao longo da visita à UACh, foram realizadas também reuniões com pesquisadores de difentes áreas e que já possuem cooperações com cientistas alemães, bem como com a Dra. Maite Castro, diretora da Unidade de Relações Internacionais. Nestas ocasições, Winkler apresentou a DFG e sua atuação na América Latina, bem como seus programas de fomento e possibilidades de financiamento bilateral de projetos teuto-chilenos junto ao CONICYT. Segundo ela, a viagem proporcionou ótimas oportunidades para as duas intituições estreitarem seus vínculos, que já são muito evidentes diante da atuação da Profa. Kausel. “Queremos seguir potencializando e expandido novos projetos de grande envergadura com a Alemanha”, declarou a professora.