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Workshop teuto-brasileiro aborda novas tecnologias de imagem para tratamento e diagnóstico de câncer

Cerca de 35 pesquisadores participaram do Workshop em Botucatu
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Cerca de 35 pesquisadores participaram do Workshop em Botucatu

© DFG

(25/09/2017) Como novas tecnologias da imagem podem contribuir para aprimorar o diagnóstico e tratamento do câncer? Para discutir este questionamento comum, pesquisadores brasileiros e alemães, das áreas de engenharia e ciências médicas realizaram um workshop no campus da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu.

Realizada de 20 a 23 de setembro, esta foi a segunda edição do workshop que reuniu jovens cientistas e professores da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nürnberg (FAU) e de universidades paulistas. Em novembro de 2016 o grupo se encontrou na cidade alemã de Erlangen – a dupla de eventos foi financiada com recursos da Fapesp e do Baylat, que promoveram uma chamada conjunta visando estreitar as colaborações científicas entre os estados de São Paulo e da Baviera.

Os workshops são resultados da cooperação mantida entre a FAU e a Faculdade de Medicina da Unesp, que formalizaram a parceria institucional em 2013, um ano após a visita a Botucatu do Prof. Dr. Christoph Korbmacher, à época vice-presidente da universidade alemã. Como próximo passo, os pesquisadores planejam desenvolver projetos de pesquisas em parceria e, para tanto, buscam as oportunidades de fomento possíveis. “É essencial nos informarmos sobre as oportunidades oferecidas para avançarmos em nossa cooperação. Os instrumentos de financiamento existem, então precisamos conhecê-los melhor e saber como usá-los”, disse a Profa. Silke Weber (Unesp), organizadora do workshop. Carolina Santa Rosa, do Escritório da DFG para América Latina, esteve presente no evento e apresentou os programas da DFG destinados a projetos bilaterais – com destaque para aqueles promovidos em conjunto com a Fapesp.

Os programas coordenados da DFG, em particular, despertaram o interesse do grupo, especialmente por possibilitarem uma forte abordagem interdisciplinar da pesquisa. Programas deste tipo permitiriam agrupar subprojetos de pesquisadores de diferentes áreas que investigam aspectos particulares de um tópico comum. O tema do workshop, “Understanding Cancer Cell Aggressiveness with Novel Imaging Technique”, agregou trabalhos de cientistas da medicina, biomedicina, veterinária, farmácia, bioquímica, engenharia da computação e informática.

Profa Regine Schneider-Stock, do Instituto de Patologia da FAU, apresentou aos participantes sua pesquisa
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Profa Regine Schneider-Stock, do Instituto de Patologia da FAU, apresentou aos participantes sua pesquisa

© DFG

Segundo a Profa. Ana M. da Costa Ferreira, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, o diálogo com outras áreas é essencial. “Meu conhecimento se restringe à química. Tenho limitações, mas posso redimensioná-las. Muitas vezes uma questão que eu não sei responder, que parece um grande problema para minha pesquisa, pode ser facilmente solucionada por alguém de outra área. Além disso, o olhar de um terceiro muitas vezes enxerga coisas que você, que está ali imerso naquela pesquisa não é mais capaz de enxergar. É aí o lugar onde as fronteiras se esbarram ”, declarou. No workshop, ela apresentou seu trabalho sobre a aplicação de microscopia confocal de Raman para monitoramento de modificações intracelulares após terapias com compostos metálicos antitumorais.

Exemplos práticos de possíveis colaborações interdisciplinares também foram apresentadas no evento – considerando inclusive particularidades do contexto brasileiro. O Prof. Juliano Vilaverde Schmitt (Unesp), dermatologista, chamou atenção sobre a necessidade de se identificar casos de melanoma - câncer de pele - o mais cedo possível, uma vez que ainda não há tratamentos muito eficientes para casos avançados da doença. “Para diagnósticos de casos precoce de melanoma são necessários médicos dermatologistas ou técnicos capacitados. No Brasil, há escassez destes profissionais no sistema público de saúde, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Desenvolver uma tecnologia de reconhecimento de imagem, que possa identificar padrões e casos suspeitos de melanomas a partir de fotos feitas pelo próprio paciente, com o smartphone por exemplo, poderiam ser muito úteis, aumentar os índices de diagnóstico precoce da doença e diminuir a mortalidade”, sugeriu.