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Logo: Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG) - Ir para a página inicial Deutsche Forschungsgemeinschaft

Cientistas da USP e da Universidade de Münster estreitam cooperação em pesquisa de doenças negligenciadas

Durante workshop em Ribeirão Preto, grupo de alemães e brasileiros se informou sobre os programas da DFG e oportunidades de financiamento de projetos bilaterais

(20/09/2017) Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um bilhão de pessoas ao redor do mundo são afetadas pelas chamadas doenças negligenciadas – assim classificadas por não ocuparem lugares prioritários nas agendas nacionais e internacionais de saúde. Fortemente associadas à pobreza, estas doenças se proliferam entre populações em condições de vida e de higiene precárias e sobrevivem melhor em ambientes tropicais, onde tendem a coexistir. Entretanto ali permanecem silenciosas e ocultas em áreas rurais remotas ou em favelas urbanas, nas quais as pessoas afetadas têm pouca voz política ou acesso à assistência médica

Pesquisar novos tratamentos para estas infecções, das quais fazem parte a dengue, a doença de chagas e a leishmaniose, é um interesse comum que orienta o trabalho de um grupo de cientistas alemães da Universidade de Münster (WWU) e brasileiros da Universidade de São Paulo (USP).

Prof. Schmidt, coordenador alemão da parceria, apresentou sua pesquisa aos participantes

Prof. Schmidt, coordenador alemão da parceria, apresentou sua pesquisa aos participantes

© WWU Brasilien Zentrum

De 11 a 15 de setembro de 2017, professores e doutorandos das duas universidades se reuniram em Ribeirão Preto para participar de um workshop e da Summer School “Science Beyond Borders: actions against neglected diseases”, promovidos conjuntamente pelas duas instituições. Com abordagem interdisciplinar, a programação contou com apresentações de trabalhos e palestras de diferentes áreas relacionadas ao tópico doenças negligenciadas. Cerca de 40 pessoas participaram desta segunda edição do evento – a primeira foi realizada em 2016, em Münster, na Alemanha.

O tema é um dos focos de cooperação entre as duas universidades, que mantém um acordo institucional desde 2007 e em 2015 iniciaram o projeto “wwu.usp”, uma parceria estratégica financiada pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), que visa promover atividades para intensificar a relação entre ambas instituições.

De acordo com Anja Grecko Lorenz, diretora do Escritório da WWU em São Paulo, até o momento, a colaboração na área de doenças negligenciadas já rendeu ótimos resultados. “A rede de pesquisadores envolvidos na temática foi fortalecida e ampliada, jovens pesquisadores estão colaborando nas pesquisas, e os preparativos para um projeto de pesquisa e treinamento a longo prazo já estão em andamento”, declarou.

Kathrin Winkler apresentou os programas de fomento da DFG

Kathrin Winkler apresentou os programas de fomento da DFG

© WWU Brasilien Zentrum

Desenvolver um projeto coordenado conjunto de pesquisa, envolvendo pesquisadores das duas universidades e um programa internacional de pós-graduação, está entre os próximos planos da iniciativa. A fim de informar os possíveis caminhos para este próximo passo, o workshop ofereceu um painel sobre oportunidades de fomento de pesquisa no contexto internacional. Dentre os palestrantes estava a Dra. Kathrin Winkler, diretora do escritório da DFG para América Latina. Ela apresentou os programas de fomento para projetos bilaterais, os acordos firmados com as agências brasileiras e as possibilidades de cofinanciamento oferecidas por elas.

A perspectiva de submeter à DFG e à Fapesp uma proposta conjunta para a criação de um Grupo interdisciplinar de Doutorandos internacional (IRTG) foi recebida com entusiasmo. “Nosso evento na USP foi muito bem-sucedido e posso dizer que nosso plano de criar um programa de treinamento de doutorandos está no caminho certo”, declarou o Prof. Thomas Schmidt (WWU), um dos coordenadores da parceria.

Contribuir para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes no combate às doenças negligenciadas é uma das frentes de trabalho do grupo. Por serem associadas à pobreza, há pouco incentivo à indústria para investimentos em produtos novos e mais eficientes para um mercado que não poderia pagar por eles. “Os laboratórios têm pouco interesse, porque dá pouco retorno”, explicou o Prof. Fernando Costa, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto.

Cientistas estudam o desenvolvimento de medicamentos a partir de produtos naturais

Cientistas estudam o desenvolvimento de medicamentos a partir de produtos naturais

© WWU Brasilien Zentrum

A farmacóloga alemã Mairin Lenz, doutoranda na WWU, reconhece que o desenvolvimento de novos medicamentos ainda é lento, mas acredita que a longo prazo é possível conquistar bons resultados. “Estou otimista. Trabalhamos bastante com substâncias naturais obtidas a partir de plantas – é um caminho possível para criar novos tratamentos”, declarou.

Segundo o Prof. Schimdt, a pesquisa deve levar em consideração três fatores: desenvolver medicamentos com baixo preço para a população, menos tóxicos e mais efetivos contra estas doenças, das quais muitas atingem o Brasil.

Uma delas é o mal de chagas, transmitida pelo inseto barbeiro. De acordo com a biomédica Dra. Mariana Bronzon (USP), apesar da doença não receber tanta atenção, ela continua ameaçadora, sobretudo devido a seu caráter congênito, que é pouco conhecido pela sociedade: ela pode ser transmitida de mãe para filho durante a gestação. Segundo a OMS existem 7 milhões de casos de doença de chagas no mundo e um milhão deles estão localizados no Brasil.