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Logo: Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG) - Ir para a página inicial Deutsche Forschungsgemeinschaft

DFG apresenta a pesquisadores da FGV possibilidades de cooperação com a Alemanha

(15/08/2017) Pesquisadores e professores da Fundação Getúlio Vargas tiveram a oportunidade de conhecer a DFG e suas atividades no Brasil durante o 3º Colóquio de Pesquisa Aplicada, realizado em 9 de agosto na sede da fundação no Rio de Janeiro. Integrando os palestrantes do painel “Oportunidades de Financiamento: Disponibilidade de Recursos e Temas de Interesse de Agências Internacionais”, a Dra. Kathrin Winkler, diretora do Escritório da DFG para América Latina, foi convidada a apresentar a instituição e seus programas de fomento. Em sua palestra, informou a um público de cerca de 120 pessoas as colaborações estabelecidas com agências de fomento locais, as possibilidades para iniciação de uma cooperação científica entre pesquisadores brasileiros e alemães, bem como exemplos bem-sucedidos de projetos realizados em parceria entre cientistas dos dois países.

Ao lado de Winkler, palestraram no mesmo painel membros de outras instituições internacionais
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Ao lado de Winkler, palestraram no mesmo painel membros de outras instituições internacionais

© DFG

O painel apresentou à plateia novas perspectivas diante da atual crise econômica brasileira, que restringiu os investimentos públicos em ciência e o orçamento das agências nacionais de fomento, influenciando também a estrutura de financiamento de pesquisa da Fundação. Em 2016, apenas 19% dos recursos destinados à pesquisa pela FGV vieram do setor público, com aproximadamente R$ 3,1 milhões captados do CNPq, Capes e Fapesp – agências parceiras da DFG no Brasil. Este valor é mais de três vezes menor do captado no ano anterior das mesmas agências, que somaram mais de R$ 10,8 milhões em 2015.

O cenário incentivou a Fundação a buscar outras fontes de financiamento de pesquisa e, apesar do contexto nacional desfavorável, pôde colher bons frutos: “Mesmo no período de recessão, nossa captação total de recursos para pesquisa cresceu 12,5% em 2016. Houve uma troca do setor público nacional para o setor privado, semi-público e entidades internacionais”, contou Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da FGV, durante o colóquio. No ano passado, 40% dos recursos investidos em pesquisa pela Fundação vieram do setor privado e 33% de fontes internacionais, dentre elas, a União Europeia e o Banco Mundial.

A FGV realiza pesquisa há mais de 70 anos e é referência nacional em pesquisa aplicada, especialmente nas áreas ligadas ao desenvolvimento sustentável, economia, cultura e sociedade administração, governança e políticas públicas.

Apesar da tradição e do reconhecimento conquistado pela fundação, que também atua como instituição de ensino com programas de graduação e pós-graduação, o presidente revelou a intenção de se alavancar ainda mais o desenvolvimento em pesquisa. “Recursos são necessários, mas não só. Precisamos racionalizar sua gestão: é importante casar as ofertas de pesquisa com as demandas”, declarou ele, que defende a necessidade de se definir linhas de pesquisa prioritárias, à exemplo dos programas da União Europeia. Neste sentido, o colóquio foi encerrado com um painel sobre os projetos de pesquisa realizados no último ano que se destacaram pelo impacto social.

Esta foi a primeira participação do Escritório da DFG para América Latina em um evento da FGV, como um passo inicial para a aproximação entre as duas instituições, que demonstraram interesse em estreitar relações no futuro.

Ao lado de Winkler, palestraram no mesmo painel membros de outras instituições internacionais: Dra. Julia Knights, do Newton Fund Brazil; Dr. Alejandro Zurita, da Comissão Europeia; Martin Raiser, do Banco Mundial para o Brasil e Reuben Aitken, da Embaixada Britânica.

Lideranças de orgãos nacionais ligados à ciência tamém estiveram presentes no colóquio e discursaram sobre as disponibilidades de recursos e incentivo à inovação, dentre elas, Álvaro Prata, Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Um diálogo entre a matemática e a biologia

Workshop reuniu matemáticos da FGV e epidemiologistas da Fundação Fiocruz

Workshop reuniu matemáticos da FGV e epidemiologistas da Fundação Fiocruz

© DFG

No dia seguinte a colóquio, foi realizado ainda um workshop que reuniu pesquisadores da Escola de Matemática Aplicada da FGV e cientistas da área de Epidemiologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – renomada instituição brasileira de pesquisa destinada às ciências biológicas, em especial aos estudos de doenças negligenciadas.

O objetivo do evento foi fortalecer a cooperação já existente entre os pesquisadores das duas fundações e incentivar novas redes de colaboração. “Queremos conhecer melhor os projetos e ambições dos pesquisadores de ambos lados, identificar interesses comuns e pontos onde podemos contribuir mais uns com os outros”, declarou Cesar Camacho, matemático professor da FGV.

O diálogo entre matemáticos e pesquisadores da área de saúde – que para muitos pode soar inusitado – já conquistou alguns resultados concretos e de benefício social. Um deles foi a iniciativa “Info Dengue”, um sistema de monitoramento em tempo real para ajudar no combate à doença no Rio de Janeiro. O trabalho das duas áreas permitiu criar um site, integrando informações sobre o risco de transmissão do vírus às zonas da cidade mais afetadas, agilizando as ações de combate à doença. Na mesma linha, os pesquisadores também desenvolveram em conjunto um sistema de monitoramento do vírus da gripe.

No evento, foram levantadas muitas outras possibilidades de futuras parceiras. Marcelo Pelajo Machado, pesquisador da Fiocruz, citou um exemplo interessante: “Temos uma coleção histopatológica de Febre Amarela riquíssima. São fragmentos de tecidos de fígados de pessoas que faleceram com sintomas da doença, coletados desde 1921 e acompanhados de fichas com informações completas sobre os pacientes, incluindo o endereço. Ao mesmo tempo, há uma vasta coleção zoológica com os mosquitos transmissores da doença, também com dados geográficos. Se cruzássemos os dados de ambas coleções, poderíamos entender melhor o comportamento do mosquito e da doença, sua evolução e dispersão ao longo dos anos. Isto geraria novos dados que depois poderiam, por exemplo, ser estudados a partir da perspectiva da mudança climática: como a mudança de temperatura tem influenciado as colônias de mosquito e epidemias de febre amarela? Talvez os estudos matemáticos da FGV podem nos ajudar muito chegar mais perto destas respostas”, indagou.

Esta possibilidade pareceu bastante concreta para os pesquisadores da FGV, que ainda levantaram outros pontos de possível colaboração, como desenvolver sistemas de predição de epidemias e integrar Machine Learning aos gigantes bancos de dados da Fiocruz. Ao final do evento, os participantes já definiram uma agenda para continuar o diálogo e desenvolver futuros projetos conjuntos.

O workshop contou com a presença de Carolina Santa Rosa, do Escritório da DFG para América Latina, que foi convidada a participar do evento para conhecer de perto as pesquisas desenvolvidas pela FGV e verificar seu potencial de colaboração com cientistas alemães.