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Logo: Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG) - Ir para a página inicial Deutsche Forschungsgemeinschaft

Na Reunião Anual da SBPC, DFG e parceiros discutem próximas atividades conjuntas

Jaime Ramírez, reitor da UFMG; Abílio Neves, presidente da Capes; Dietrich Halm, diretor de cooperação internacional da DFG com a América Latina; e Luiz Roberto Curi, do MCTIC

Jaime Ramírez, reitor da UFMG; Abílio Neves, presidente da Capes; Dietrich Halm, diretor de cooperação internacional da DFG com a América Latina; e Luiz Roberto Curi, do MCTIC

© DFG

(26/07/2017) De 16 a 22 de julho, a comunidade científica brasileira se reuniu em Belo Horizonte para apreciar a intensa programação da 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Cerca de 15 mil pessoas, dentre estudantes de graduação, pós-graduandos, pesquisadores, professores e gestores de instituições de ensino, pesquisa e fomento à ciência participaram do evento realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ao longo de uma semana de conferências científicas, debates e minicursos, o campus da Pampulha tornou-se palco de acaloradas discussões sobre as consequências da crise política e econômica para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. O evento foi marcado por manifestações em defesa da recuperação de recursos do setor, após as sucessivas reduções de investimentos públicos nos últimos anos — culminando com um corte de 44% no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) para 2017, no final de março passado.

No evento, representantes da DFG puderam se reunir com instituições parceiras no Brasil para discutir os desafios diante do atual contexto e definir, apesar das políticas de contingenciamento, os próximos passos não só para manter, como também para aprofundar a cooperação entre pesquisadores brasileiros e alemães. Chamadas em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em áreas específicas estão em fase de planejamento. Um dos objetivos é incentivar a formação de novas redes de pesquisas temáticas, dentro das quais podem ser fomentados projetos individuais, realizados conjuntamente por pesquisadores alemães e brasileiros. Junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) está sendo reafirmado o acordo bilateral para o financiamento de projetos de pesquisadores do estado de Minas Gerais com parceiros alemães.

Estande do DWIH-SP informou o público sobre oportunidades de pesquisa na Alemanha

Estande do DWIH-SP informou o público sobre oportunidades de pesquisa na Alemanha

© DFG

Ao lado da DFG, integrando uma delegação organizada pelo Centro Alemão de Ciência e Inovação – São Paulo (DWIH-SP), representantes de universidades alemãs e do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) também participaram da Reunião Anual. Em um estande na área de exposição, o grupo ofereceu informações ao público sobre as oportunidades de pesquisa na Alemanha, bolsas e possibilidades de cooperação com instituições e pesquisadores do país. “A Alemanha já é uma grande parceira do Brasil em ciência e tecnologia. A presença das instituições alemãs na SBPC é fundamental para prosseguirmos com esta estreita relação no futuro, especialmente porque possibilita a conexão e aproximação de jovens pesquisadores brasileiros”, declarou Evaldo Vilela, presidente da Fapemig, em sua visita ao estande.

A importância da parceria com a Alemanha foi igualmente destacada na reunião realizada entre a delegação alemã e a reitoria da UFMG. Após completar seu aniversário de 90 anos, a universidade tem como meta para os próximos anos ampliar as medidas para internacionalização da instituição. “Temos hoje mais de 40 cooperações com universidades alemãs. É uma de nossas prioridades nos aproximar ainda mais”, declarou o reitor Jaime Ramírez. Dentre as aspirações está implementar um programa para receber professores visitantes alemães. “Também torcemos que a DFG e a Fapemig tenham uma ótima reunião e continuem colaborando”, disse ele, enfatizando a importância para a UFMG do acordo entre a DFG e a instituição de fomento local – no último ano 838 projetos executados na UFMG foram financiados pela Fapemig.

Delegação alemã se reuniu com o reitor Jaime Ramírez (2º à esq.) durante a SBPC

Delegação alemã se reuniu com o reitor Jaime Ramírez (2º à esq.) durante a SBPC

© UFMG

Destaques da SBPC – Perspectivas diante da crise
Intensificar o apoio à internacionalização nas universidades brasileiras também é um dos objetivos da Capes, que deverá lançar ainda este ano um edital com este foco, para ser implementado a partir de 2018. Atuando como um sucessor do Ciências sem Fronteiras, o novo programa “Mais Ciência, Mais Desenvolvimento” atuará em uma nova frente: não se restringirá à mobilidade e dará mais autonomia às universidades. A Capes financiará, ao longo dos próximos quatro anos, planos elaborados internamente pelas universidades, que levem em consideração as demandas específicas de cada instituição, para a ampliação do quadro de cooperação e inserção internacional. Além da nova iniciativa, o programa vigente de internacionalização da pós-graduação será mantido e poderá atender as instituições não contempladas no edital com ofertas de bolsas de doutorado pleno, doutorado sanduíche e pós-doutorado. “Este ano a CAPES concedeu 4.600 cotas de bolsas de doutorado-sanduíche o que representa metade das bolsas nesta modalidade concedidas nos quatro anos do Ciência sem Fronteiras”, declarou Abílio Neves, presidente da Capes, em sua palestra na SBPC.

Dados aprestados na ocasião revelam que do total de 213 mil estudantes de pós-graduação no Brasil, cerca de 100 mil contam com auxílio da Capes. Segundo Neves, este cenário é possível porque o órgão é ligado ao Ministério da Educação, que dispõe de um orçamento de 120 bilhões, e conseguiu, em parte, se proteger dos cortes de investimento à ciência. Para este ano, mesmo com a redução de 500 milhões, o orçamento de 4,5 bilhões de reais da Capes é quase o dobro do MCTIC. O presidente reconhece este desequilíbrio como problemático, uma vez que a Capes, através da concessão de bolsas apoio à pós-graduação, financia o pessoal, mas não dispõe propriamente de recursos para a realização de projetos científicos. “Não existe formação de recursos humanos sem recurso para pesquisa. É preciso recuperar o orçamento do MCTIC e seus institutos e agências CNPq e Finep”, declarou.

Neste contexto, de escassez de recursos públicos para ciência, o lançamento na SBPC da primeira fundação brasileira privada de fomento à pesquisa atraiu a atenção dos pesquisadores presentes. Em uma sala cheia, a fundação Serrapilheira apresentou publicamente sua primeira chamada. Registrada como associação civil sem fins lucrativos, a instituição se enquadra dentro do terceiro setor e dispõe de um orçamento anual de 15 milhões de reais para financiar pesquisa e divulgação científica. Numa primeira fase, a partir da lógica de “Seed Money”, serão financiados 70 projetos das ciências exatas e biológicas pelo período de um ano, após isto, 10 a 20 projetos de destaque receberão até um milhão por mais três anos. Segundo o diretor, Hugo Aguilaniu, a seguridade dos recursos – advindos do rendimento financeiro de um fundo patrimonial privado de 350 milhões –, a desburocratização dos cronogramas de pesquisa e a garantia de flexibilização e autonomia do pesquisador para a divisão e gestão dos recursos recebidos seriam os grandes diferencias da nova instituição em relação as tradicionais agências públicas de fomento brasileiras.