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Logo: Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG) - Ir para a página inicial Deutsche Forschungsgemeinschaft

Exposição revela os possíveis mais antigos vestígios do homem na América

Na embaixada brasileira em Berlim, exposição fotográfica sobre a Serra da Capivara, um dos patrimônios mundiais da UNESCO, apresenta imagens dos sítios arqueológicos e da exuberante natureza e cultura da região.

Indígenas Funiô na Serra da Capivara

Indígenas Funiô na Serra da Capivara

© André Pessoa

(20/05/2017) A Serra da Capivara, no nordeste brasileiro, é conhecida por seus sítios arqueológicos únicos e suas impressionantes pinturas rupestres, que hoje integram o conjunto dos Patrimônios Mundiais Culturais da UNESCO. A vegetação local é dominada majoritariamente pela Caatinga, também conhecida como Mata Branca, devido às cascas das árvores e arbustos, que colorem a mata de branco após a queda das folhas verdes durante os períodos de seca.

A exposição „Patrimônio Arqueológico da Serra da Capivara – os mais antigos vestígios da povoação da América?” mostra com as fotografias de André Pessoa o trabalho arqueológico realizado na região, sua fascinante flora e fauna e as cultura e tradições locais. É também exibido o filme-documentário “ Sensacional descoberta no Brasil – os primeiros americanos”, da emissora alemã ZDF. O vídeo apresenta aos visitantes os resultados do projeto de pesquisa “O começo da produção alimentícia no semiárido do Nordeste brasileiro – o caso da Serra da Capivara”, fomentado pela DFG e conduzido por cientistas do Deutsches Archäologisches Institut (DAI).

Uma pequena parte da exposição também é reservado para apresentar o projeto “Viveiro Mata Branca”, do Instituto Ecológico Caatinga (IEC) e da Fundação ProBrasil, que tem como objetivo a proteção e o reflorestamento da vegetação original do semiárido. Em diálogo com jovens de escolas locais, a instituição visa conscientizar sobre a singularidade e a importância de se preservar a Serra da Capivara.

Sobre a abertura
Na abertura da exposição, realizada em 17 de maio na Embaixada do Brasil em Berlim, o embaixador brasileiro, Mario Vilalva, destacou sua satisfação em poder apoiar também cooperações com a Alemanha no âmbito da ciência. “A exposição é apenas um exemplo do que os dois países conseguiram atingir com suas cooperações científicas”, declarou entusiasmado. O governador do Piauí, Wellington Dias, estado onde se localiza a Serra da Capivara, viajou a Berlim especialmente para a ocasião e relembrou as responsabilidades e cuidados necessário envolvidas para gerir e preservar o patrimônio mundial. Ao mesmo tempo, o estado do Piauí lida com o desafio de abrigar a segunda população mais pobre do Brasil. “Por isso precisamos investir em educação, ela é a chave de tudo”, declarou Dias.

Mulher observa as fotografias

A exposição “Patrimônio mundial da Serra da Capivara – os mais antigos vestígios da povoação da América” na embaixada brasileira

© DFG

A secretária-geral da DFG, Dorothee Dzwonnek, resumiu os dois objetivos da exposição, que por um lado apresenta a beleza da paisagem da Serra da Capivara e, por outro, traz ao centro o questionamento científico e arqueológico sobre os mais antigos vestígios do homem no continente americano. “Com a ajuda dessas pesquisas deve-se de fato revelar que a povoação da América ocorreu nitidamente antes do que até hoje se considerava – isto é de um valor inestimável”, declarou. Neste sentido, pesquisas arqueológicas podem também contribuir na busca de respostas para os questões gerais acerca da nossa identidade, como “quem somos?”, “de onde viemos?”, e “para onde vamos?”, disse.

Mesmo não podendo responder inteiramente estas perguntas filosóficas, uma das mesas de discussão organizados pela DFG tratou de questões concretas sobre a possibilidade dos vestígios encontrados na Serra da Capivara serem os mais antigos indícios da habitação humana na América. Pesquisadores que trabalham diretamente nos sítios arqueológicos do local apresentaram o atual andamento das pesquisas.

Governador do Piauí, Wellington Dias, entrega à secretária-geral da DFG, Dzwonnek, um álbum com reproduções das fotografias expostas

Governador do Piauí, Wellington Dias, entrega à secretária-geral da DFG, Dzwonnek, um álbum com reproduções das fotografias expostas

© DFG

Segundo a doutrina que prevalecia até então, especialmente entre arqueólogos norte-americanos, as únicas provas confiáveis da primeira povoação humana no continente seriam da chamada Cultura Clóvis, primeiro povo que teria habitado América, segundo objetos encontrados na cidade de Clóvis, no estado do Novo México, nos Estados Unidos. Foram descobertos na região artefatos característicos pré-históricos, pontas de lanças cuidadosamente esculpidas em pedra, datados com cerca de 13 mil anos de idade.

“Para os pesquisadores norte-americanos é quase inconcebível o fato de que encontramos artefatos na Serra da Capivara que nitidamente podem ser datados como mais antigos”, declarou o professor Dr. Eric Boëda, de Paris, que há anos realiza pesquisa no local. Seu colega, Dr. Eduardo Góes Neves, completou: “Este debate científico, sobre se há na América vestígios mais antigos que os de Clóvis, tem também uma dimensão política, que revela que a arqueologia não lida apenas com o passado, mas também influencia o presente”. O Dr. Markus Reindel, do DAI, também defende que a Teoria de Clóvis não se sustenta mais. “O que estamos discutindo agora é apenas, na verdade, o quão mais antigos podemos datar os objetos encontrados”. Quanto a isso, as pinturas rupestres e artefatos da Serra da Capivara são de importância central – mesmo não sendo exclusivamente os únicos datados como mais antigos que os de Clóvis. Também no Chile, no México e em outros lugares na América Latina é possível se encontrar vestígios provavelmente bem mais antigos que os norte-americanos.

Permanece em aberto, porém, de onde vieram as pessoas que enfeitaram as paredes rochosas da Serra da Capivara com suas pinturas, deixando assim estes rastros para a posterioridade. Até o momento, segundo a teoria vigente, o surgimento de um corredor formado após o degelo sobre o então transitável Estreito de Bering, permitiu ao homem cruzar da Sibéria para o Alasca e rapidamente se espalhar pelo continente americano. Supõe-se que os primeiros habitantes possivelmente contornaram a costa ou, até mesmo, que vieram pelo próprio oceano, utilizando embarcações. Se isto seria possível, é apenas um de muitos questionamentos.

Palestrantes em discussão de abertura

Discussão de abertura, com o tema “O Povoamento da América”: (da esq. à dir.) Prof. Dr. Eduardo Góes Neves, Dr. Markus Reindel, Prof. Dr. Eric Boëda, o fotógrafo André Pessoa e a moderadora Lilo Berg

© DFG

Além dos questionamentos sobre os vestígios dos primeiros homens na América, os arqueólogos também se ocupam em estudar seus possíveis hábitos, sedentários ou coletores e caçadores. Um projeto do DAI, fomentado pela DFG, se dedica exatamente a esta questão. Nele, o Dr. Reindel investiga restos vegetais na Serra da Capivara que podem ser resultado da produção agrícola nos anos 4.000 a 1.000 a.C. A pesquisa deve contribuir para estimar o período de transição da economia baseada na caça e na coleta para a agricultura.

Os diversos e diferentes projetos de pesquisa e os muitos questionamentos, a ainda serem respondidos, que surgiram ao longo do evento reforçam a importância de se fomentar esta área da ciência, como declarou a secretária-geral da DFG na abertura do evento: “Pesquisas arqueológicas realizadas com financiamento público são de grande importância para a esfera pública. É exatamente isso que evidencia esta exposição”.

Locais e Horários de Visitação

  • BERLIN
    Local: Deutsche Forschungsgemeinschaft – WissenschaftsForum
    Markgrafenstraße 37
    Horário: 11/07/2017 a 15/07/2018
    De segunda à sexta-feira, das 8h30 às 17h30
  • BONN
    Local: Wissenschaftszentrum
    Ahrstraße 45
    Horário: 25/01/2018 à 08/04/2018
    De segunda à sexta-feira, das 8h00 às 19h00